20 de mai de 2009

A Tirania do Corpo (de Ballone G.J.)

(trechos extraídos do artigo original que se encontra aqui)


Nos consultórios de psiquiatria começa a aparecer em crescente velocidade os problemas decorrentes da obsessão pelo corpo perfeito.

Algumas mulheres se consideram infelizes ao mostrar uma dobrinha na barriga quando sentam. Alguns mocinhos sacrificam boa parte do tempo em intermináveis e obsessivas horas “puxando ferro” nas academias de musculação. Isso sem contar com aquelas pessoas que atribuem o fracasso da conquista do grande amor a um pequeno excesso de gordura na cintura, a um nariz ligeiramente mais profuso ou a um seio menos farto. Parece estar havendo uma locação anatômica da felicidade, ora no seio, ora no nariz, ora na balança.

O conceito de beleza está associado a ser jovem, como se fosse impossível encontrar o belo fora da juventude. É triste, mas às vezes as pessoas acham que o mais importante é o que aparentam, e não o que são de fato. E é comum dizer-se “– Nossa, você já tem 60 anos? Mas não parece...”. Não parece como? Baseado em que? Ora essa atitude invalida todas as experiências vividas para se chegar aos sessenta, que não se consegue aos trinta ou quarenta.

Alem dos transtornos estimulados pela conjuntura cultural, há ainda o problema imposto às pessoas com sobrepeso (e não obesas). Existem dois agravantes sociais cruciais influindo na vida das pessoas acima do peso ideal; uma influência francamente recriminadora e de exclusão social dos obesos e outra, absolutamente estimulante para a manutenção e desenvolvimento da própria obesidade.

É grosseira e desumana discriminação estética imposta pelos parâmetros ditatoriais das medidas, juntamente com o julgamento do obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por ser preguiçoso. O enfoque discriminatório pode gerar preconceito em relação à pessoa obesa, acaba proporcionando dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até quadros psiquiátricos gravemente depressivos e conseqüentes a essa marginalização.

Clinicamente a obesidade pode ser considerada hoje uma doença crônica, capaz de provocar ou acelerar o desenvolvimento de outras doenças e que concorre para uma morte mais precocemente. Porém, existem inúmeros estados ou situações entre a obesidade e o simples sobrepeso e as regras de um estado não deveriam ser as mesmas do outro, em termos de felicidade. A obesidade, de fato, deve ser prevenida e corrigida, tendo em vista os sabidos efeitos deletérios sobre a saúde e a qualidade de vida. O sobrepeso, entretanto, deve ser melhor avaliado à luz das repercussões culturais, das restrições sociais e da baixa autoestima que esses fatores estimulam.

Paradoxalmente, em franca contra-posição à tendência repulsiva da sociedade contra a obesidade, a ingestão excessiva de alimentos, desde criança, é bastante estimulada por nossa cultura altamente consumista. A armadilha está no forte apelo cultural através da propaganda, do marketing e da mídia publicitária para a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, cerveja, sorvetes, etc.

8 comentários:

Paty disse...

Oi amigo, gostei do seu post, mais no final o que vale é o que queremos pra sermos felizes, se isso incluir o peso mais baixo então não adianta enquanto não perdermos até a última gota de gordura não estaremos plenos e felizes, agora se a pessoa consegue ficar numa boa acima do peso, ótimo pra ela, né!!
Beijoca

maria/andrea disse...

Oi Brian!!
A pressão da sociedade é grande sim e muitas vezes, deixa as pessoas malucas, de verdade.
Quantas vezes eu ouvi a frase: vc é tão bonita, pena que é gorda..., ou então essa: vc tem tudo isso? (idade). Não parece e pareceria menos se fosse mais magra.
Ouvi isso muitas vezes.
Ficava abalada num primeiro momento, mas passava.
Só resolvi que deveria emagrecer quando depois de muito tempo sem me pesar, ví números surpreendentes na balança.
E olha, mesmo com aquele peso todo (70,5 kilos pra 1,52 de altura)eu não me via gorda!
Estava imensa, mas me sentia bem.
Isso também é um tipo de pressão, infelizmente.
No meu caso, foi melhor assim.
Hoje estou mais magra e mesmo que não esteja no peso ideal, não sinto mais aquela cobrança.
Não que eu ligasse muito pra isso, mas, está bem melhor agora.
Nunca tive problemas pra me relacionar quando estava gorda, mas, algumas vezes senti vergonha sim, do que o outro estaria pensando... essas coisas. Bobagem...
Analisando toda minha vida, tento fazer o melhor pelos meus filhos.
Os alimentos considerados lixos são bem mais acessíveis hoje e atraem muito mais que qualquer comida saudável.
Como minha filha está bem gordinha pra idade e tamanho, estou reduzindo bastante a entrada dessas coisas em casa. Mas não é fácil, vc deve saber pq tem filhos também.
O dificuldade viu....
Bem, mas no final, tudo dá certo.
Basta não desistir.
Beijos e boa sorte.

Paulinho ℗ disse...

E ae amigo...

bom, eu acho que se a pessoa não está feliz com sigo mesma, então que comece a tomar uma iniciativa saudavel para mudar,isso é, claro que tem os desesperados, que fazem coisas absurdas, prejudicando sua própia saúde, a mídia influência mto sim, mas em partes, isto vai de cada um, pessoas com personalidades definida, sabe o que querem sem intervenção de ninguém....

até mais abraços

Valérie Roberto disse...

ô meu Deus, balança sem erro é de doer! Espero que ela tenha sido mais boazinha na pesagem.

Não posso pegar minha camiseta da NS das Grças que lembro de vc! acho que vai virar almofada mesmo

Abç. NÓS vamos longe!!

Dani disse...

Ótimo texto!!!! Parabéns!Nós gordinhos realmente sofremos com a desumana discriminação. Tudo pq a sociedade impõe o tal modelo de perfeição... Aí... tristes com nossos corpos... comemos pra variar...
Mas vamos vencer isso!
Beijosssssssss

@ Patty @ disse...

Oi Brian,
Valeu pelo recadinho no meu bloguinho, parece que as coisas voltaram ao normal ... que bom !
Valeu querido, vc me ajuda muito, nunca esqueço o que vc disse qdo teclamos: "Nossa decisão de emagrecer é soberana..."
Isso fez uma grande diferença pra mim, viu? Valeu!
bjinho

Fabiana disse...

OLá, Brian. Faz tempo que não vinha por aqui.
E sua meta para Maio (101)? Está quase lá, heim?!

Lendo os outros posts, me emocionei com a história da melancia. É verdade. A gente começa a saborar sem sacrifícios coisas muito mais saudáveis.

Outro dia fui em um churrasco e não pensei nem duas vezes em saborear o abacaxi assado com canela em vez do pudim de leite.

Adorei e ME ADOREI!

Abçs e força.

Mali disse...

REALMENTE SOFREMOS UMA GRANDE PRESSÃO... A SOCIEDADE NÃO PERDOA...DITA O Q É BELO E SE VC NÃO SE ENQUADRA...
MUITAS VEZES ESQUECEMOS QUE O Q FAZ A BELEZA É A DIVERSIDADE...
BJIM